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Mulheres de Verdade: Débora Piangers

6 de março de 2019 - por Julia Baruffi

Especialmente para o Dia da Mulher, a Laci Baruffi inaugura um projeto bem inspirador chamado MULHERES DE VERDADEIvone Gomes Tavares, Débora Piangers, Zoraide Regina, Nana Oliveira, Leocadia Gubler e Aida Inés foram escolhidas como nossas homenageadas. Vamos compartilhar suas histórias – todas diferentes, porém, com traços comuns de dinamismo, força, coragem. E, por isso, as mulheres de verdade da Laci Baruffi. Contar estas histórias é uma forma de homenagear quem admiramos, como também, inspirar outras mulheres mostrando a importância da nossa essência feminina.

CONHEÇA A HISTÓRIA DE TODAS AS MULHERES DE VERDADE

Vamos à primeira história? Débora é mulher de presença, forte, prática e com brilho nos olhos. É desse jeito que ela compartilha conosco sua experiência de vencer o câncer de mama, encontrar pessoas maravilhosas, amadurecer, noivar e agora estar na fase final do tratamento, superando mais esta batalha. Vem ver:

Pedagoga, sente-se privilegiada por descobrir tão cedo o que queria para sua vida: estar na sala de aula e fazer a diferença na vida das crianças! Isso devido ao trabalho voluntário que iniciou ainda na adolescência. Aos 31 anos, recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Dona de uma garra perceptível, ela diz que agradeceu por não ser em nenhum órgão vital, como aconteceu com suas avós e outras pessoas próximas. “Claro que fiquei triste, com medo, chorei. Mas naquele momento foquei em como resolver” – conta Débora que bate no peito. Ela ainda comenta que é impressionante que em momentos como estes, os nossos anjinhos aparecem em nosso caminho. Com certeza, sua visão prática e otimista fez a diferença. É isso que aprendemos com ela.

Uma das primeiras dificuldades foi parar de trabalhar, por ser muito ativa e apaixonada pela profissão. “Demorei um pouco, mas fui aceitando a ideia e por fim compreendi a insistência médica: o tratamento exige muitos cuidados e eu jamais teria dado conta de trabalhar enquanto fazia quimioterapia.” Mesmo assim, Débora se fez uma promessa, que cumpriu mesmo em dias mais difíceis, de não parar sua vida por causa do câncer.

Já na questão do cabelo, Débora novamente nos mostra sua visão prática e determinação: “Perder o cabelo não foi motivo de muito sofrimento não. Eu já não gostava muito do meu.” Ela conta que se curtiu careca, fez ensaio fotográfico, se achou bonita, apesar de ter chorado muito com a queda dos fios. No entanto, para a Débora o cabelo tem um relação forte com o processo de cura, e, esse foi um dos momentos mais incríveis da nossa conversa com esta mulher de verdade: “A primeira vez que saí com ele mais crescidinho eu tive a sensação de que minha vida estava voltando ao normal. E só aí entendi que o cabelo tem a ver com a nossa identidade, com a gente se olhar no espelho e se reconhecer, com beleza e auto estima, mas é bem mais que isso. O cabelo representa a vida, perder o cabelo é como perder o controle da nossa vida.”

Assim é a Débora Piangers, cada momento, um aprendizado, uma constatação que fez a transformação de menina para mulher.

Agora na reta final do tratamento, Débora planeja os últimos preparativos de seu casamento que será mês que vem. Aliás, seu noivo merece posição de destaque – além da família, é claro – por sempre estar ao seu lado, principalmente preparando surpresas para deixá-la feliz. Infelizmente, essa não é a realidade para 40% das mulheres que estão fazendo quimio ou radioterapia e sofrem rejeição sexual ou abandono por parte dos seus companheiros (Dado de uma pesquisa realizada, em 2015, pelo do Hospital de Câncer de Barretos (SP) e do centro oncológico americano MD Anderson Cancer Center).

Passar pela fase final do tratamento é mais uma batalha a ser vencida. Além da exaustão psicológica e física, há inúmeros efeitos colaterais que acabam influenciando na rotina e auto estima. Para Débora, pouco se fala sobre isso, e muitas vezes as mulheres acabam se sentindo sozinhas. “A gente já não precisa ser tão forte, mas ao mesmo tempo não tem mais aquele cerco constante dos amigos e família.” Além dos efeitos físicos como ganho de peso, dor nas articulações, há também os psicológicos – “A gente precisa se redescobrir.” Mesmo cada paciente sofrendo este pós em intensidade diferente, o apoio dos médicos e psicólogos são super indicados. “Costumo conversar com as amigas que também são pacientes que às vezes o pós câncer é mais difícil que o durante.”

Débora é sinônimo de valentia – palavra que ela mesmo utiliza e a gente sente ao estar com ela por perto! Confiar nos profissionais, no tratamento, participar da rede de apoio entre as pacientes, ter por perto a família e os amigos são imprescindíveis para vencer a doença. E, ela completa com mais um grande aprendizado: “Ter pessoas caminhando comigo foi maravilhoso, mas era eu quem precisava dar os passos, ninguém poderia caminhar ou vencer aquela luta por mim. Tenho muito orgulho de estar onde estou agora.”

É incrível perceber como cada mulher lida com estes momentos delicados. Cada uma de nós é uma história e uma forma de encarar a vida. Débora nos traz várias lições e por isso é mulher de verdade! Daquelas que trata a vida com realidade, sem fantasiar e sabe se valorizar. É lindo ver alguém com orgulho de si mesma. Débora, obrigada por nos ensinar isso compartilhando sua história.

Com carinho,

Julia Baruffi.

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Criado por: Liane Bez